domingo, 8 de dezembro de 2013

Exu, terra de Gonzagão

Quem desejar respirar o mesmo ar que Luiz Gonzaga um dia respirou, tem que passar por Exu, sua cidade natal, ver o pé de serra da "Chapada do Araripe", visitar o "Parque Asa Branca", entrar na casa em que ele viveu, ver o viveiro dos pássaros "Asa Branca", o mausoléu onde repousa, o Museu com seus pertences e imagens e todo o restante do amplo parque idealizado pelo "Rei do Baião".

Vivo, Luiz Gonzaga idealizou o Parque. Sabia que sua vida era motivo para livros, filmes e o registro de sua trajetória num Museu. Não teve tempo de estruturar tudo nos conformes. Morreu antes disso.O Parque de Asa Branca, agora, está  sob cuidados de uma ONG –

A tragédia é a marca da descendência de Luiz Gonzaga. Dona Helena, sua mulher oficial, antes de falecer, mudou-se para o Rio de Janeiro contrariada pelo fato dele ter assumido outro relacionamento amoroso.

Edelzuita – o amor dos últimos anos do "Rei" – também já é falecida. Rosinha, filha adotiva, sempre foi mais ligada a Dona Helena que ao pai adotivo. Mas a maior tragédia (ou pelo menos de maior repercussão)  ficou por conta de "Gonzaguinha".

Filho bastardo de Luiz Gonzaga (sua mãe foi a bailarina de boates Odaléia Guedes), teve os problemas tradicionais de filho com pai, potencializados pela condição de seu nascimento; pelo fato de "Gonzagão" ter cedido às pressões de Dona Helena não assumido o filho fruto do romance  e, também, pelas origens que cada um acabou representando: "Gonzagão", a vida nordestina/rural; "Gonzaguinha", a vida e os dilemas urbanos.

O descendente mais próximo de "Gonzagão", hoje, é Daniel Gonzaga, filho de "Gonzaguinha". Segundo informações de Dona Mundica – que trabalha na casa de "Gonzagão" desde 1968 – o neto de Luiz Gonzaga anda com certa freqüência em Exu e, cuidou do filme sobre a vida do "Rei do Baião".

Este texto não se propõe historiar nada sobre a vida (ou pós vida de "Gonzagão"). Propõe-se a registrar um pouco de sentimentos. E preocupações críticas. No final do seu segundo mandato, o ex-presidente Lula, autorizou recursos para a construção de um moderno "Memorial  do Gonzagão". Só que em Recife.

Palmas para a decisão, mas entristece saber que a cidade escolhida foi a capital de Pernambuco. São muitos os argumentos que justificam a escolha do Recife, mas eles contrariam um só: apesar da distancia da capital, Exu está encravada no "Sertão do Cariri" nordestino – região carente de desenvolvimento.

O "Memorial do Gonzagão" em Recife concentra capital numa cidade já beneficiada por inúmeras ações governamentais, enquanto a pequena Exu e sua região, por quem Luiz Gonzaga tanto lutou, continuam precisando do canto e da voz do velho "Lua". (Texto e fotos: Oscar de Barros - oscar.barros.sousa@hotmail.com

Placas indicativas na entrada da cidade de Exu.

Oscar de Barros, Rosângele e Mundica, que desde 1968 cuida da casa de "Gonzagão". 

Uma das entradas da casa do "Rei do Baião".

Varanda da casa de "Gonzagão".

Mesa da sala de jantar, onde Luiz Gonzaga costumava reunir os amigos.

Dormitório de Luiz Gonzaga.

O "Rei" retratado numa tela.

Viveiro da Asa Branca.

Entrada do Museu.

Apartamentos para turistas, ao lado da casa de Luiz Gonzaga.

Palco para apresentações artísticas.

A neta Lavínia.

Serviço de comida e bebida para turistas.

Chegando a Exu tem a "Palhoça do Rei", que oferece comida, bebida e hospedagem.









Cartazes do "Rei do Baião" espalhados pelo Parque Asa Branca.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Para o operador do blog


Para os amigos do Bar do Ceará




Tirinhas escrotas













domingo, 1 de dezembro de 2013

A "Rainha da Fronteira"

Bagé, a Rainha da Fronteira, está localizada na fronteira do Rio Grande do Sul, a 60 km do Uruguai, e constitui-se no caminho mais curto entre Porto Alegre e Montevideu. Por sua posição geográfica, desempenhou importante papel na história do Estado, desde o tempo do Império. 

Seus campos foram alvo de disputas entre índios, portugueses e espanhóis. Ali também aconteceram fatos importantes da Guerra Cisplatina e das Revoluções Farroupilha e Federalista.

O primeiro contato do município com o homem europeu aconteceu na segunda metade do século XVII, quando os padres jesuítas, após fundarem São Miguel, desceram da região dos Setes Povos das Missões e instalaram-se no local, fundando a Redução de Santo André dos Guenoas, em 1683. Porém, os índios (que os padres pretendiam catequizar) eram rebeldes em relação aos índios missionários e aos homens brancos e destruíram a redução.


Mais tarde, em 1750, Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Madri, pelo qual os portugueses renunciavam à Colônia de Sacramento em troca de terras do atual Rio Grande do Sul e da expulsão dos Setes Povos para a outra margem do Rio Uruguai. 


Mas quando, em 1752, os dois exércitos – português e espanhol – chegaram nos campos de Santa Tecla para demarcar as fronteiras, foram rechaçados por 600 índios charruas (tribo predominante nesta área), comandados por Sepé Tiarajú, que teria dito que aquelas eram “terras que Deus e São Miguel lhes haviam dado”.

Alguns anos depois, em 1773, o Governador de Buenos Aires, D. Juan José Vertiz y Salcedo, com 5.000 homens, partiu do Prata para expulsar os portugueses do Rio Grande do Sul. Chegando no local, fundou o Forte de Santa Tecla, do qual ainda existem demarcações. 

O forte era cercado por um fosso de 9 metros de largura e 2,5 de profundidade, tinha muralha de 3 metros de altura e baluartes que alcançavam 5,5 metros. O Forte foi arrasado duas vezes. A primeira, em 1776, Rafael Pinto Bandeira o invadiu e expulsou os espanhóis, destruindo parte de sua construção.

Depois de assinado o Tratado de Santo Idelfonso, em 1777, uma guarnição espanhola ocupou novamente o Forte, e os portugueses se estabeleceram numa Coxilha que recebeu o nome de São Sebastião – Guarda de São Sebastião.


Em 1801, os espanhóis abandonaram todos os seus postos avançados, inclusive o Forte de Santa Tecla, que foi, pela segunda vez, demolido e arrasado. O território passou definitivamente aos portugueses, e as terras bageenses foram ocupadas por sesmeiros ou arrendadas a pessoas que se destacaram nos combates travados.


Em 1810, algumas das colônias espanholas conquistaram sua independência da metrópole, e em meados do ano seguinte, em 1811, o governador do Rio Grande do Sul, Dom Diogo de Souza, concentrou o exército português nas fronteiras, temendo alguma ação dos recém-separados espanhóis. Assim, montou seu acampamento próximo aos “Cerros de Bagé”, local onde hoje está situada a cidade. 


Segundo alguns historiadores, em 17 de julho de 1811, D. Diogo partiu com suas tropas para invadir o Estado Oriental del Uruguay, deixando várias pessoas que não puderam acompanhá-lo e que originaram o município. A data de fundação de Bagé – 17 de julho de 1811 – bastante discutida até hoje, foi estipulada em 1963, por ocasião do Congresso do Segundo Centenário do nascimento de Dom Diogo de Souza.

Quanto à origem do nome Bagé, há várias hipóteses, todas elas ainda discutidas. Há quem diga que no local onde hoje está situada Bagé, viveu um cacique minuano chamado Ibajé. O índio Ibajé estaria enterrado no Cerro de Bagé, e do seu nome teria se originado o nome da cidade. 


A existência desse índio nunca foi comprovada, sendo mais provável que seja uma lenda. A hipótese mais aceita é aquela que diz que a origem do nome Bagé vem da linguagem indígena, e está relacionada com a idéia de “cerros”. Os índios tapes chamavam os Cerros de “mbaiê”, porém a expressão mais aceita para a origem do nome da cidade é “bag”, outra expressão indígena que também significa “cerros”.
A povoação foi aumentando devagar, espalhando-se ao redor da Praça da Matriz (onde seria o centro do acampamento), e uma igreja, muito simples, foi construída (em 1820) para abrigar a imagem do padroeiro da cidade, São Sebastião, trasladada em 1813 da Guarda da Coxilha para Bagé.

Mesmo após a demarcação definitiva das fronteiras, as terras do município de Bagé continuaram a presenciar guerras e batalhas. Em 1825, D. Carlos de Alvear invadiu o território gaúcho, e no início de 1827, as forças do general Lavalleja entraram em Bagé, saqueando, queimando e destruindo o que encontravam pela frente. No ano seguinte, a assinatura do Tratado de Paz devolveu o sossego à fronteira.


Em 1835 foi a vez dos gaúchos batalharem entre si. A eclosão desta nova disputa deu-se não pelos antigos objetivos de conquista de terras. Agora, os motivos eram outros: estavam em jogo os ideais de republicanos e imperialistas. Bagé, mais uma vez, viu seus campos servirem de palco para diversas batalhas. 


Uma das mais importantes e lembradas, a “Batalha do Seival” foi travada em 10 de setembro de 1836 nos Campos do Seival. As tropas republicanas, comandadas por Antônio de Souza Netto, saíram vitoriosas e, no dia 11 de setembro, o mesmo General Netto, no atual Campo dos Menezes, margem esquerda do Rio Jaguarão, proclamou a República Rio – Grandense.

Finda a Revolução Farroupilha, Bagé foi elevada à categoria de freguesia, em 18 de maio de 1846, e de vila, em 5 de junho do mesmo ano. Foi reconhecida como cabeça de comarca em 22 de dezembro de 1858 e, quase um ano depois, em 15 de dezembro de 1859, foi elevada à categoria de cidade. (Fonte: Blog "Doma Racional")



Prédio da Prefeitura de Bagé. (Foto: Divulgação)


O prédio da antiga estação ferroviária de Bagé, construído em 1884, foi todo restaurado. Os recursos vieram da "Lei Roaunet" e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Hoje é sede do Centro Administrativo da Prefeitura Municipal de Bagé. (Foto: www.defender.org.br)

Palacete em estilo neoclássico, construído no início do século XX, abriga a Secretaria Municipal de Cultura. (Foto: www.defender.org.br) 
Catedral de Bagé. (Foto: Prefeitura Municipal de Bagé) 
Palacete Pedro Osório. (Foto: Prefeitura Municipal de Bagé) 
Hotel do Comércio. (Foto: Prefeitura Municipal de Bagé) 
Clube Caixeiral. (Foto: Prefeitura Municipal de Bagé) 
Clube Comercial. (Foto: Prefeitura Municipal de Bagé)
 Associação Rural de Bagé. (Foto: Prefeitura Municipal de Bagé)
Por do sol em Bagé. (Foto: http://br.images.search.yahoo.com)
Restaurante Madre Maria. no entorno da Praça da Catedral de São Sebastião. (Foto: http://tripadvisor.com.br)
Coreto da Praça Silveira Martins. (Foto: http://minerva.ufpel.edu.br)
Instituto Musical de Belas Artes (IMBA), funciona no Solar da Sociedade Espanhola, prédio construído em 1929. (Foto: City Brazil)

Chegando a Bagé. (Foto: www.terragaúcha.com.br)

Campos de Bagé. (Foto: www.terragaúcha.com.br)

Gado no campo. (Foto: www.terragaúcha.com.br)

Indo para Aceguá. (Foto: www.terragaúcha.com.br)

Vista panorâmica. Foto: www.terragaúcha.com.br)

Hospital Universitário. Foto: www.terragaúcha.com.br)

Prédio antigo restaurado. Foto: www.terragaúcha.com.br)